Vazamento de usinas nucleares após terremoto no Japão: algumas questões éticas

Na sexta feira passada um forte terremoto abalou o Japão; possivelmente o quarto maior do mundo. Estamos testemunhando as graves consequências deste evento: mortes, destruição, tsunami e, além disso, vazamento de usinas nucleares. Todas essas consequências nos levam a importantes reflexões: como será possível reconstruir todo um país? Suplementos básicos já estão em falta, como água e comida. Anuncia-se um grande caos, que ainda não podemos prever totalmente as dimensões.

 Também temos a questão do vazamento das usinas nucleares, que gera reflexões éticas relevantes: até que ponto o desenvolvimento tecnológico se justifica, tendo em vista os riscos que ele pode gerar para toda uma população? Quais seriam os limites éticos nas tomadas de decisão de um país frente ao seu desenvolvimento tecnológico? Quando as decisões em benefício do desenvolvimento nacional devem passar pelo escrutínio mundial?

 Sabemos que muito do que é desenvolvido pela ciência inicia-se a partir da exploração do desconhecido e que, em diversas vezes, apresenta riscos ao ser desbravado. Todavia, até onde podemos ir no cálculo de perdas e ganhos? Parece-nos que a questão transcende as estatísticas econômicas, e vai alcançar a difícil tarefa das ponderações de cunho ético. Quem vai decidir os limites para a atividade tecnológica, e quem ficará responsável pelos seus ônus?

Pois certamente, no caso aqui apresentado, ainda não podemos prever quais serão os efeitos para a população japonesa a curto e longo prazo dos vazamentos nucleares. Mas fica cada vez mais claro que a conta será mundial.

Flora Tucci e Helena Colodetti

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Showing 8 comments
  • Bruno Coelho

    Adotar uma conduta ética não parece algo fácil quando se busca o conhecimento, ou se tem interesses econômicos envolvidos, pois nem sempre os cientistas dão prioridade à valores contrários ao seu benefício profissional. Ademais, não se sabe à partida que descobertas científicas irão ter as aplicações que possuem hoje; somente após um tempo de maturação é que se pode fazer uma análise mais sóbria, disso se segue que não podemos responsabilizar alguém sem um exame cuidadoso. Este último problema, ou seja, a responsabilização por determinadas conseqüências negativas que podem surgir a partir de uma descoberta, é algo difícil, porque os programas de pesquisas e publicações são feitas em conjunto hoje, dada a extrema especialização que a academia atingiu.

    No caso específico do Japão temos uma atividade onde os riscos são pequenos, entretanto, os efeitos são catastróficos. Uma questão segue sendo importante: é moralmente aceitável a manutenção de atividades que oferecem riscos nucleares?

  • denilson

    eu achei um absurdo esse vazamento

  • natalia scala

    eu gostei muito do que você escreveu, mas eu gostaria de saber algo mais concreto. tem como ? não estou criticando, pois está ótimo apenas gostaria de saber quando você vai atualizar essa pagina com mais notícias.

    Obrigada

  • lorrana

    olha gostei muito como você falou sobre esse assunto pois você falou de um jeito que todo mundo pergunta!!e isso me ajudou muito no meu trabalho de religião!!!!!!!!
    muito obrigada

  • RENATA

    OI ESTOU AMANDO TUDAS AS INFORMAÇOES PARABENS , HA E CONTINUI TRAZENDO UM POUCO MAIS DE CONHECIMENTO APOPULAÇAO…. MIL BEIJINHOS!!!!!!

  • rafaela

    com esse vasamento as crianças correm muito risco de contaminação.

  • rafaela

    que absurdo isso, espero que as pessoas estejam bem.

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  • […] que representa a opção energética lastreada no petróleo. Como já destacamos aqui no ERA no acidente nuclear seguido ao terremoto no Japão, fica a questão de decidir até que ponto o desenvolvimento […]

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