Por via indireta

Recentemente publicado no Brasil com o título “A Beleza da ação indireta” (Best Business), “Obliquity: why our goals are best achieved indirectly” (Penguin Press, 2011) por John Kay, ex-diretor da Business School de Oxford, tem um tema bastante provocativo. Segundo ele, alguns de nossos principais objetivos são alcançados mais eficazmente de modo indireto, ou, em suas palavras, oblíquo. Os filósofos já diziam isso há bastante tempo e Kay cita John Stuart Mill cujo “paradoxo da felicidade” diz exatamente que “só são felizes aqueles que se concentram em outros objetivos que não a sua própria felicidade”. A sabedoria popular também diz que a melhor forma de se conseguir algo é não deixar transparecer o quanto se deseja isso. Kay examina uma série de casos de empresas em que a estratégia indireta deu melhores resultados do que a decisão explícita de alcançar um objetivo determinado ou imediato, por exemplo, aumentar a lucratividade. A responsabilidade social, a preocupação com a sustentabilidade, o compromisso ambiental, ou seja, a soma de várias dessas preocupações fundamentais  hoje podem contribuir para que os consumidores deem preferência a seus produtos, tornando-a lucrativa. Medidas explícitas para aumentar o lucro e a competitividade como corte de custos, downsizing, e outros fatores frequentemente vistos como negativos podem prejudicar esse objetivo. A ideia de que a meta principal pode melhor ser atingida de modo indireto equivale a manter que em muitas ocasiões o que pode dar mais certo é a “estratégia oblíqua”, que não coloca essa meta no primeiro plano, como algo a ser obtido a qualquer preço, mas sim como resultado de objetivos aparentemente mais modestos. Mas, por quê? Porque a pressão pelo resultado imediato pode levar à precipitação e a inviabilizar o sucesso pretendido. Mas, também porque o sucesso raramente depende apenas da decisão de ser bem sucedido, e sim de um conjunto de decisões acertadas que podem levar a esse resultado.
Por Danilo Marcondes

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Danilo Marcondes
Danilo Marcondes
Doutor em Filosofia, professor, Departamento de Filosofia, Coordenador do projeto ERA.
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