A nomeação de Lagarde e o novo código de ética do FMI

corbisimages codigo etica FMINesta semana, Christine Lagarde assumiu o posto de diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional  do (FMI). Ela vem substituir Dominique Strauss-Kahn, que renunciou ao seu cargo após ser preso em Nova Iorque. Sua prisão ocorreu em virtude de uma acusação de estupro de uma funcionária do hotel em que estava hospedado.

Tal evento abalou profundamente a imagem do FMI, pois trouxe à tona diversos escândalos sexuais ocorridos dentro da instituição. Veio a público dados de uma pesquisa interna que detectou poucas restrições à conduta de assédio sexual por parte do alto escalão do fundo.

Por exemplo, em 2007, uma funcionária acusou o chefe de ter-lhe avaliado negativamente com intuito de ameaçar-lhe, pois ela desejava terminar sua relação amorosa com ele. O FMI decidiu não dar continuidade à investigação deste caso, já que o funcionário acusado estaria se aposentando em breve, o que tornaria tal procedimento desnecessário. Existem diversos outros relatos aonde funcionárias se sentiram sexualmente coagidas e que suas denuncias não foram investigadas apropriadamente pelo fundo.

Diante deste cenário agora exposto ao público, um novo código de ética foi formulado e está sendo aplicado desde maio deste ano. Desta forma, Christine Lagarde assume seu novo cargo se comprometendo a obedecer este novo código de ética, mais rígido e reformulado. Diante deste fato, surgem algumas questões importantes quanto ao papel de um código de conduta ética de uma empresa, que serão aqui brevemente apresentadas.

Certamente as regras de uma instituição se ajustam a acontecimentos e levam a uma revisão do status quo. Parece oportuno na atual conjuntura do FMI uma reformulação de seu código de ética e a introdução de programas de treinamento de ética, mas uma questão permanece: será que, de fato, os problemas frequentes de excessivo assédio sexual ocorreram em consequência de regras “frouxas”?

Pois o que se ouve é que, na verdade, ocorreu uma omissão do fundo quanto às denuncias recebidas. Muitas delas não foram apreciadas de uma maneira mais ampla para averiguação dos fatos e devidas punições.

Por mais que as normas anteriores não fossem tão explícitas quanto a punição de atos sexualmente indevidos, certamente não haviam elementos nas normas que estimulassem condutas agressivas e constrangedoras aos funcionários.

Desta forma, pode-se supor que mesmo com as normas antigas muitas ações eticamente impróprias poderiam ter sido evitadas ou, pelo menos, rechaçadas.  Esta questão nos faz pensar em um desafio para os códigos de ética: estes muitas vezes se tornam somente papéis soltos, inutilizados e descontextualizados da cultura organizacional.

As normas éticas de uma empresa precisam, sem dúvida, serem formuladas com clareza e podem sofrer alterações devido a acontecimentos que levam a um aprimoramento. Mas, além disso, precisam ser disseminadas pelas lideranças que têm o papel de propagar o entendimento e aplicação das regras em todas as instâncias da empresa.

A cultura organizacional se constitui por normas escritas e tácitas. A conduta e resolução de conflitos por parte das autoridades competentes também definem o que pode que pode ou não ser feito.

Por isso, parece que o desafio do FMI para estabelecer os novos limites criados será conseguir trazer vida para este novo código, viabilizando, de fato, sua materialização no cotidiano.

Fontes:

http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201107051826_RTR_1309890377nN1E76416L

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110523/not_imp722760,0.php

 

 

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Flora Tucci
Flora Tucci
Doutoranda em Filosofia pela Puc-Rio e psicanalista.
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