Empresas de Valor: o empreendedorismo ético pode redefinir o futuro do capitalismo?

Dois movimentos surgidos em meados da década de 1990 vêm se consolidando como alternativa para o desenvolvimento de um capitalismo baseado em preceitos éticos. O primeiro, chamado empreendedorismo social, surge dos movimentos sociais e da necessidade das organizações sem fins lucrativos conseguirem se sustentar sem depender de recursos financeiros escassos. O outro é conhecido como empreendedorismo ambiental ou ecológico, que surge a partir da consolidação do conceito de desenvolvimento sustentável e da consciência da importância da preservação dos recursos naturais finitos para a sobrevivência da humanidade.

Os dois conceitos ainda estão se consolidando no meio acadêmico e muito ainda se discute sobre as delimitações e as fronteiras de cada uma dessas tipologias. No caso do empreendedorismo social, a abrangência de tipos organizacionais parece ainda difusa, englobando empresas tanto com fins lucrativos quanto outras sem este fim. O que parece consenso, entretanto, é que se trata de empresas que atuam para e/ou com populações marginalizadas, seja por serem pobres ou por serem minorias, como grupos étnicos, portadores de deficiência, entre outros.

No caso do empreendedorismo ambiental, a busca por lucro parece ter se consolidado como parte do conceito. De fato, o que se apreende da literatura, é que essas são empresas em que o valor ambiental é o principal motivo de sua existência, podendo atuar para públicos segmentados ou de massa, mas que sobrevivem garantindo a sua lucratividade, mesmo que esse não seja o principal motivador de suas ações.

Haeerad Sabeti, na edição desse mês da Harvard Business Review, propõe a tipologia “organizações com fins de benefício” para nomear o conjunto de empresas movidas por valores e metas sociais e ambientais. Nesse conjunto, poderiam ser inseridos tanto o empreendedorismo social quanto o ambiental. O autor propõe essa nomenclatura por perceber um grande movimento de empresas voltadas ao lucro abordando problemas sociais e ambientais, entidades sem fins lucrativos criando modelos de negócios sustentáveis e até governos concebendo modelos de mercado para a prestação de serviços.

De acordo com Sabeti, a “ascensão desse setor deve redefinir o futuro do capitalismo”. Para isso, entretanto, há muito ainda a ser feito como a criação de uma entidade jurídica clara para esses tipos de organização, o aumento dos mecanismos de incentivo e financiamento para empresas movidas por valores éticos, a ampliação da divulgação desses novos tipos de negócios tanto na mídia quanto nas escolas e universidades, o incentivo a pesquisas nesse campo, entre outras ações. Há um longo caminho a ser feito, inclusive no Brasil, mas tudo indica que os primeiros passos já estão sendo dados. Vamos acompanhar de perto.

Referências:
Sabeti, H. A organização com fins de benefício. In: Harvard Business Review Brasil, Novembro 2011, p. 56-61.

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Galera, G.; Borzaga, C. Social enterprise: An international overview of its conceptual evolution and legal implementation. Social Enterprise Journal, Vol. 5, No. 3, pp. 210-228, 2009.

Bull, M. Challenging tensions: critical, theoretical and empirical perspectives on social enterprise. International Journal of Entrepreneurial Behaviour & Research, Vol. 14, No. 5, pp. 268-275, 2008.

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Showing 5 comments
  • ruthiane

    este saite é muito interesante :D

    • Anônimo

      interessante*

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