Novo Paradigma do Setor Empresarial

Por muito tempo, a persecução do fim “lucro” e o senso particular de moralidade dos indivíduos foram tratados como domínios completamente incompatíveis no âmbito negocial.

A atividade empresarial, até meados do ano 2000, era regida sob a lógica de que é moralmente aceitável mentir nos negócios, desde que essa mentira representasse uma maximização dos lucros e aumento de competitividade daquela empresa no mercado – uma visão distorcida do que seria “ser ético”.

A forma de avaliação das organizações era basicamente pautada em demonstrações contábeis, valorizando-se apenas os resultados financeiros que, por sua vez, nem sempre traduziam com fidelidade a realidade daquela empresa.

Atualmente, o setor empresarial vem entendendo que não é mais possível avaliar as empresas tendo em vista exclusivamente os padrões tangíveis de ontem. Erige-se um novo paradigma na área negocial que demonstra que valores extrapatrimoniais, tais quais a marca, imagem, prestígio, confiabilidade decidem a preferência dos clientes e garantem a continuidade da organização. Dirigentes de empresas de grande porte, hoje, já perceberam que, ter uma equipe com altos padrões pessoais de conduta, representa um ativo economicamente tão importante quanto os números absolutos de seu balanço contábil.

É nesse sentido que a ética tem ganhado respeitabilidade e vem sendo utilizada como um forte diferencial de qualidade e conceito público. Existe hoje no mundo como um todo, uma maior consciência social que clama pela prática da ética empresarial, assim como um ambiente jurídico propício para essa nova tendência que corrobora e exige a observância desses novos valores.

Diante de clientes cada vez mais exigentes e diplomas legais altamente protetivos e tutelares (vide Código de Defesa do Consumidor, CLT, legislação ambiental), as empresas tendem a refletir bastante antes de colocar bens e serviços no mercado que possam macular negativamente sua imagem junto a clientela ou então acarretar sanções legais junto ao judiciário que acabarão refletindo em prejuízo. Ao perceberem que não podem ser abusivas nas suas atividades, as empresas têm corrido para introduzir a ética em suas práticas.

A grande pergunta é: e o que seria a tão aclamada “ética empresarial”? Laura Nash, em irretocável definição, diz: “Ética dos negócios é o estudo da forma pela qual normas morais pessoais se aplicam às atividades e aos objetivos da empresa comercial. Não se trata de um padrão moral separado, mas do estudo de como o contexto dos negócios cria problemas próprios e exclusivos à pessoa moral que atua como um gerente desse sistema”.

Em outros termos, poder-se-ia dizer que se trata de aplicar os princípios morais e as regras do bem proceder aceitas pela coletividade às situações complexas que são peculiares ao setor empresarial. De um modo geral, toda decisão que implicar danos ou prejuízos diversos (não necessariamente patrimoniais) aos outros não pode ser considerada ética, ainda que reflita em maximização dos lucros.

A título de conclusão, o que se pode dizer é que a introdução da ética no setor empresarial tem rendido benesses não apenas para as empresas, como também para a sociedade como um todo. Empresas que assumem a ética como estratégia de atuação têm conseguido fortalecer seu nome no mercado e captar uma clientela cada vez mais fiel e satisfeita, otimizando seus lucros a médio e longo prazo.

No que diz respeito a sociedade, a ausência de valores morais, se estendida para uma dimensão macro pode reduzir o nível de confiabilidade entre as pessoas, tornando insustentável todo o convívio social, o que seria demasiadamente nocivo. Isso reforça a idéia de que a ética não só é compatível com êxito empresarial, como é fundamental para a própria dinâmica das relações intersubjetivas desenvolvidas em sociedade.

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