Palavra de Gestor 1: sobre ética empresarial

Thoran Rodrigues é sócio-fundador da Big Data Corp, uma empresa especializada em soluções de computação na nuvem que lida com volumes massivos de informação.

ERA:   O que você entende por ética empresarial?
Ética empresarial, na minha concepção, consiste na aderência da organização a um código de conduta que promova benefícios para a sociedade como um todo em paralelo com o crescimento da empresa, e que esteja de acordo com as leis da sociedade (ou sociedades) nas quais a empresa está inserida. Uma empresa ética é uma empresa que não toma suas decisões apenas olhando para o potencial de lucros futuros, ou seja, apenas para os números, mas leva em consideração também o custo total de cada uma de suas decisões para o ambiente na qual está inserida.

ERA:   O que você considera como o maior desafio ético nas organizações?
Eu enxergo hoje dois grandes desafios para as organizações modernas: o primeiro está relacionado com a internacionalização. Se uma empresa tem operações em múltiplos países, fica cada vez mais difícil seguir as regras e legislações de todos os países onde se encontra, e por vezes podem surgir posições conflitantes. Como ficam, por exemplo, as empresas de internet que atuam na China? O governo Chinês obriga que todas elas bloqueiem o acesso a conteúdo considerado “subversivo”, mas o governo de seu país de origem (os EUA) promove o livre acesso a informação. Quem é mais ético: o Google, que se recusou a filtrar os resultados e se retirou da China, ou a Microsoft, que permanece no país bloqueando os resultados e tentanto mudar o sistema por dentro?

O segundo grande desafio está relacionado com a informação. Estamos entrando na era da produção massiva de informação individualizada. Cada um de nós, com nossas atualizações de status no Facebook, posts e comentários em blog, aplicativos no celular, e outras conveniências da vida moderna, estamos divulgando, muitas vezes sem saber, uma quantidade enorme de informações sobre nós mesmos para as empresas. Até onde vai a liberdade delas de fazerem o que quiser com essa informação? Onde termina o nosso direito de privacidade e começa o direito das empresas de revender nossas informações, mesmo que agregadas, para o direcionamento de campanhas de marketing e venda de produtos?

ERA: O que você considera necessário para construir uma cultura ética nas organizações?
O primeiro passo para a construção de uma cultura ética é a definição clara de um código de conduta para todos os funcionários. Sem um guia explícito, as empresas dependem das decisões individuais de seus funcionários, que podem muitas vezes estar motivadas pelo benefício pessoal, e não pelo bem de todos. Um código de conduta deixa claro para todos quais são as “regras do jogo”, o que é e não é aceitável. O segundo passo é estabelecer mecanismos de recompensa que estimulem o comportamento ético. Na hora de avaliar os funcionários, a empresa deve, além de olhar para os resultados obtidos, olhar também para como eles foram alcançados: funcionários que quebraram as regras não devem ser premiados. Finalmente, é fundamental que as lideranças dêem o exemplo dentro da empresa. Os diretores, presidentes, etc devem sempre agir da maneira como esperam que seus funcionários ajam, e não devem hesitar em punir publicamente aqueles que infringirem as regras. Muitas empresas optam por esconder internamente desvios de ética cometidos por seus funcionários para não “contaminar” sua imagem no mercado, mas e a imagem interna? O que fica para os funcionários é a sensação de impunidade para os que agiram incorretamente, levando apenas a mais desvios no futuro.

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