Desafios do jornalismo na era digital: novas considerações

Em agosto fiz um post (http://era.org.br/2011/08/etica-no-jornalismo-desafios-na-era-digital/), onde o tema central era o papel do jornalismo dentro do cenário atual digital, onde as informações surgem de forma difusa. O que notamos é que o jornalismo no sentido formal perdeu sua posição de centro irradiador dos acontecimentos, disputando com as diversas ferramentas sociais (youtube, facebook, orkut, twitter) a tarefa de trazer a notícia de primeira mão.

Defendi então que o caráter ético poderia ser um papel central mantenedor da atividade jornalística: a objetividade e a imparcialidade são princípios éticos que garantem o acesso desprovido de tendenciosidades, oferecendo ao grande público a notícia mais “limpa” possível, viabilizando uma formação de opinião  “livre”.

Contudo, o aspecto ético também encontra-se além da questão da objetividade de como uma notícia é trazida à tona. Vemos surgir uma outra questão frente à eticidade jornalísitca: como definir quais notícias são relevantes ao grande público? Como selecionar o que entrar na pauta?

Recentemente vimos emergir esta discussão na rede, nos blogs, facebook etc: a discussão veio à tona por causa de o livro “A Privataria Tucana”, lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Junior, que fala sobre os “podres” nos processos de privatização do Governo Fernando Henrique, tendo como foco principal o nome do ex ministro José Serra.

A grande questão atualmente discutida é que a grande mídia se ausentou e nada falou sobre os conteúdos bombásticos do livro. Na internet, a notícia se espalhou, o que gerou uma grande venda do livro (ele já está esgotado em diversos lugares). Muitos fenômenos na internet parecem ter um caráter excessivo, isto porque, tudo pode virar notícia e materiais muitas vezes “vazios” ganham um destaque desmesurado.

Mas, em meio a este mar de notícias vemos surgir importantes reflexões que dizem respeito a importantes aspectos de nossa vida (como é o caso em questão): como seres políticos que todos somos, esta é uma oportunidade de vermos a mídia sendo convocada quanto ao seu papel ético frente ao grande público.

Hoje temos, enquanto indivíduos, ferramentas mais contundentes para convocarmos a grande mídia quanto a sua função. E, novamente, parece oportuno uma retomada dos aspectos éticos da atividade jornalística para remodelar o cenário atual.

Ficamos a espera de como esta reconfiguração se dará.

Referências:

http://www.cartacapital.com.br/politica/o-ruido-virtual-do-silencio/

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5516514-EI6578,00-Venicio+Lima+Ao+ignorar+livro+grande+midia+mostra+moralidade+seletiva.html

http://www.cartacapital.com.br/politica/a-%E2%80%9Cprivataria-tucana%E2%80%9D-de-amaury-ribeiro-jr-chega-as-bancas-cartacapital-relata-o-que-ha-no-livro/

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Flora Tucci
Flora Tucci
Doutoranda em Filosofia pela Puc-Rio e psicanalista.
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