A eterna polêmica dos ingredientes que fazem mal à saúde

Ressurgiu recentemente nas principais redes sociais – entre elas o Facebook – a notícia de que foi proibida a comercialização da Coca-Cola Zero nos Estados Unidos, atribuída ao uso do ciclamato de sódio em sua formulação. O tema não é novo – nem a notícia que está sendo reproduzida, pois é datada de 2009. A formulação da Coca-Cola Zero não mais contém tal ingrediente… nos Estados Unidos. No Brasil, sim, continua presente e permitido pela legislação.

Este não é um caso isolado de ingredientes sendo considerados cancerígenos ou maléficos à saúde de diferentes formas. Passamos pela condenação da manteiga, por causa da gordura e colesterol que contém, tendo então a vez sido passada às margarinas, por conta da gordura trans, e agora alguns apontando para o azeite como o próximo da lista de vilões. E não é que a manteiga volta a ser a queridinha de diferentes profissionais da saúde?

Não há unanimidade. Dr. Jorge Manaia, por exemplo, defende o uso de determinadas margarinas: “As margarinas exclusivamente vegetais, sem adição de gorduras trans, são indicadas por especialistas de todo o mundo como uma forma alternativa de consumo de gorduras para pacientes com problemas cardiovasculares, oriundos do colesterol alto, desde que consumidos com moderação e sob supervisão médica e nutricional.”

A questão é que, na maioria dos casos, há extensa desinformação por parte dos consumidores sobre os ingredientes dos produtos que consomem. Não que a lista de componentes não esteja disponível – e está, conforme a legislação. Porém, poucos são os que efetivamente leem rótulos de produtos. Dos que se empenham em fazê-lo, poucos sabem o que eles significam. Alguém que se proponha a ler o rótulo dos produtos e que tenha conhecimento para entendê-lo ainda tem um desafio adicional: os especialistas da área – endocrinologistas, nutricionistas, nutrólogos etc – não chegam a um consenso sobre os benefícios e, principalmente, os malefícios de uma parte dos componentes presentes nos produtos…

Sabendo-se por estudos realizados por empresas privadas de alimentos que a maior parte da população consegue reconhecer apenas de poucas vitaminas – vitamina C e, quando muito, vitamina E – sem, no entanto, conseguir explicar a sua importância, o problema fica muito maior ao se falar de componentes com nomes mais complicados e menos difundidos ao público em geral.

Se os consumidores têm a ganhar com informação sobre vitaminas, o que se dirá de aprenderem sobre os demais componentes daquilo que consomem. Para tanto, seria interessante que os especialistas em nutrição primeiramente chegassem a um consenso sobre as orientações a serem dadas para o público em geral. Só assim a população que tem chance de escolher o que consome poderá ser mais crítica em relação às suas escolhas e, ao mesmo tempo, não ficar tão vulnerável, muitas vezes, a falsas notícias de produtos com ingredientes cancerígenos ou similares. E, mais ainda, que possamos levar realmente a sério os alertas verdadeiros sobre produtos a serem eliminados da nossa alimentação, por meio da apresentação de dados a partir dos especialistas e com credibilidade e embasamento.

  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Add to favorites
  • email
  • Google Buzz
  • LinkedIn
  • Orkut
ERA
ERA
Related Posts

Leave a Comment