Daltônicos: Problemas e Cores Invisíveis

O daltonismo – ou cegueira para diferenciar cores – é geralmente invisível para quem não sofre desta condição. No entanto, estima-se que afete 10% da população masculina mundial.

Os daltônicos são pessoas que caminham sem os auxílios utilizados por cegos – como cães guias, varetas ou pessoas lhes auxiliando a achar seus caminhos – pois não são cegos, nem têm dificuldade de enxergar formas à sua volta. E também por isso passam despercebidos por todos nós, o que faz com que não estejamos espontaneamente sensíveis às suas dificuldades.

Por exemplo, como diferenciar um sinal de trânsito que está no verde, mandando seguir, de outro vermelho, que indicaria parar? Se esta pergunta parece ao leitor um tanto inesperada, imagine que este é o tipo de desafio que um daltônico enfrenta nas menores – e também nas maiores – coisas de seu cotidiano. Como escolher roupas que combinem, sem que se vista um arco-íris não desejado para ir ao trabalho? Ou ainda, um par de meias que seja, efetivamente, um par, com ambas as meias da mesma cor? Fora de casa, como ler sinalizações que tenham por base as cores, e assim por diante?

Tanto se fala de inclusão social, mas o tema de como lidar com o daltonismo não é ainda a regra. Poucos são os que trataram do assunto com mais profundidade. Um deles é Miguel Neiva, designer português que vem estudando o tema há mais de uma década e propôs um código de cores para ser adotado por qualquer setor interessado e consciente de sua responsabilidade social e – por que não? – também como um diferenciador de mercado para os primeiros adotantes, até que o código de cores seja adotado mais por regra do que por exceção. O código de cores é composto por formas (triângulos e diagonais) que, juntas, indicam se a cor representada é um azul claro, verde escuro, laranja, preto e assim por diante.

O código de cores proposto por Miguel Neiva já foi adotado por algumas empresas, entre elas uma empresa que fabrica e comercializa lápis de cor, de forma a introduzir o conceito na educação já das crianças; um hospital, com o código aplicado a toda a comunicação visual indicando as diferentes áreas do hospital; empresa de vestuário, informando na etiqueta a cor das peças de roupa; entre outros. Os projetos em andamento incluem as linhas de metrô da cidade do Porto, em Portugal e um projeto no Brasil para codificação dos sinais de trânsito.

A inclusão de daltônicos é uma questão ética e que não pode continuar invisível. As ferramentas propostas para codificação de cores podem permitir um salto significativo na evolução desta inclusão.

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Showing 4 comments
  • Paulo Gonçavles da Silva

    Sou daltonico e só sei disto na hora que tenho que renovar minha CNH. No dia a dia nem lembro.
    Mas no exame médito do detran não acerto nada da parte das cores. Quase não me renovaram desta última vez….

    • manoel

      bom toda vez eu sou reprovado no exame medico do detran o jeito é comprar os medicos…

      ja que a lei nao sai do papel vamos pra parte que entra o dinheiro e isso que eles querem…

  • carynne oliveira gamel

    seguir a vida conforme Deus planejou

  • Biba Fonseca

    O criador do sistema Color Add, o designer português e Prof. Miguel Neiva, criador do código para daltônicos Color Add, vai explicar essa ideia – que já figura nos metrôs da cidade do Porto – ao público paulistano em duas palestras, no dia 08, sábado, às 11h e 14h30. – http://www.sentirportugal.org/colloradd-uma-ideia-genial/

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