Senado aprova disciplinas sobre Ética no Ensino Fundamental.

No último dia 14 de Novembro, o Senado Brasileiro aprovou o projeto de inclusão das disciplinas “Ética e Cidadania Moral” e “Ética Social e Política” nas escolas de ensino fundamental do país. A medida causou mal estar com o Mistério da Educação, que considera inviável o aumento do conteúdo dentro do calendário de dias letivos fixados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

A grande questão que norteia a polêmica sobre a inclusão das novas disciplinas de ética no ensino fundamental é se há a necessidade desses novos conteúdos específicos na grade escolar ou se eles deveriam ser temas transversais a todas as disciplinas já constantes no currículo.

Para o autor do projeto, o senador Sérgio Souza (PMDB-PR), é preciso “… fortalecer a formação de um cidadão brasileiro melhor: pela formação moral, ensinando conceitos que se fundamentam na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos; por outro lado, pela formação ética, ensinando conceitos que se fundamentam no exame dos hábitos de viver e do modo adequado da conduta em comunidade”. Corroborando essa visão, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirma que “dada a presente desagregação social pela qual passamos, representada pela atual crise de valores humanos, faz-se necessário que a escola oriente a formação do caráter dos nossos jovens, fortalecendo a formação dada no núcleo familiar”.

Um ponto de vista contrário, no entanto, é apresentado por Priscila Cruz, diretora executiva do programa Todos pela Educação. Para ela já há um excesso de disciplinas na grade curricular da educação básica e a inclusão de novos conteúdos irá sobrecarregá-la, além de delegar mais responsabilidades para a escola. Ela é defensora da ideia de que os temas sobre ética sejam trabalhados em todas as disciplinas, pois, em suas palavras, não há dúvidas de que o aluno deva refletir sobre questões éticas, “mas [isso] não se aprende na teoria. É no dia a dia… não se pode separar ética, ela tem que estar presente em todos os conteúdos. Como tema transversal é perfeito”.

É uma questão de fato polêmica. Se por um lado, a inclusão de novos conteúdos irá sobrecarregar os alunos, o que pode estressá-los e até gerar o efeito contrário ao previsto se eles criarem rejeição de alguma maneira às disciplinas em excesso; por outro, não há como negar a importância de se abordar as questões éticas e morais em todas as fases da educação. A melhor forma de fazer isso é discutível e é preciso entender melhor o projeto que está por trás deste debate. Afinal, a última inclusão de conteúdos sobre moral e cívica como obrigatórios no sistema escolar foi na ditadura militar com o intuito de “preservação dos valores espirituais e éticos da nacionalidade” e o “fortalecimento da unidade nacional”. O aprendizado e o debate sobre moral e ética são iniciativas fundamentais para a formação de qualquer cidadão, mas ao apresentar esses conteúdos como obrigatórios para as crianças na escola é preciso muito cuidado para evitar discursos moralistas e autoritários. Caso contrário, é um tiro no pé.

 

Referências:

http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1185819-senado-aprova-inclusao-da-disciplina-cidadania-moral-e-etica-no-curriculo-escolar.shtml

 

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-11/comissao-do-senado-aprova-inclusao-da-disciplina-cidadania-moral-e-etica-no-curriculo-do-ensino-funda

 

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Showing 3 comments
  • Ethos

    Ética tem que ser ensinado por filósofos e sociólogos

  • Jociana

    Concordo plenamente.

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