Como definir o efetivo abandono afetivo?

Tendo em vista que é possível pedir indenização por dano moral na ausência de atenção por parte dos pais na infância e adolescência, vimos em nosso país o caso inédito, onde o Superior Tribunal de Justiça condenou um pai a pagar R$200 mil à filha por abandono afetivo, entendendo que é possível exigir indenização por dano moral quando os pais não dão os devidos cuidados e atenção. O dano moral traz com ele, entre outros, a noção de dor, sofrimento psíquico, de um indivíduo, que se sente particularmente prejudicado.

O abandono afetivo neste exemplo está intimamente ligado à falta de proximidade, apesar de proximidade não caracterizar afeto. Tomando o exemplo das mães tigres chinesas, que encontramos no livro “Grito de guerra das mães tigres”, podemos fazer uma comparação com a ausência do pai brasileiro condenado a pagar indenização à filha de 38 anos. As mães tigres chinesas inserem seus filhos numa rotina das mais rígidas que podemos conhecer, no que se trata de rotina infantil, obrigando os filhos a serem os primeiros. É um treinamento rígido, em que as mães e pais impõem as regras, e as crianças não têm o direito de fazer colocações ou mesmo discordar. Para uma mãe tigre chinesa a socialização não é necessária e as mais maleáveis deixam o filho brincar no máximo uma vez ao ano na casa de amigos, tendo eles a idade que for.

As mães e pais são extremamente presentes na vida prática dos filhos, e culpabilizados caso algo saia errado, como não conquistar o primeiro lugar, que todos almejam e apenas um alcança. Tamanha proximidade não garante plena vida adulta aos chineses, que têm como maior causa de morte o suicídio. No caso da indenização brasileira, vemos uma clara separação de valores e afetos, e a dúvida permanece se o afeto pode ser pago em cifrões e ter o caso sanado, ou apenas permaneceria causando no outro a sensação de perda, que não poderá ser medida. Sim, parece que quem tem responsabilidade, mesmo que não intencional, e causa um dano, tem que reparar quem sofreu o dano, restituir de forma que anule o dano ou o compense de alguma forma, com a ideia de anulação do efeito. R$200.000,00 podem então anular uma dor de toda uma vida?

O caso brasileiro serve como exemplo? Podemos dizer a um pai ou mãe o quanto de afeto eles têm que dar ou a forma como fazê-lo? Fato é que não parece uma boa ideia agir contra os próprios juízos. Mesmo tendo participado financeiramente da vida da filha, no que diz respeito à pensão alimentícia, este pai teve que pagar indenização por ter faltado com afeto. Contudo, a filha continuou sem ter o afeto do pai e a única coisa que recebeu foi dinheiro; assim como o foi ao longo de sua vida com a pensão recebida. Quantos pais e mães no Brasil saem de madrugada e voltam de madrugada e não vêem os filhos acordados na busca de alimento e educação. Não é possível também dar valor a este ou aquele, mas as realidades são distintas, e existem milhares de famílias em que os filhos só conhecem o afeto como uma palavra no dicionário.

A questão é saber onde efetivamente está o abandono. Será que ele pode ser definido pela justiça e ser usado em casos tão opostos? Nos afetos, como seres humanos, temos um grau que é comum a todos de afetação e é nesse comum que algumas questões filosóficas se baseiam e, talvez com elas, possamos refletir e abrir o olhar, e pensar se troca–indenização vale, quando o assunto é afeto. Numa visão spinozista poderíamos dizer que vivemos num mundo regido pela ansiedade das pessoas e o caminho que mostra a filosofia dos afetos é o de ter menor apego ao que a sociedade diz ser bom, e mais afeto com o que se afeta bem. Spinoza pensa razão como razão afetiva, e só há valor numa restauração quando é afetiva; então poderíamos pensar que a mulher indenizada no caso do STJ não teve nenhuma restauração ou restituição, porque não foi afetiva. Uma ideia verdadeira só é de fato verdadeira quando é forte, quando tem carga afetiva maior que a falsa. É preciso reinterpretar, ressignificar, revalorizar afetivamente as vivências; ainda em Spinoza, a compreensão é importante, porque através dela mudamos afetivamente. Ao compreender pelo intelecto, temos mais ferramentas para entender os afetos vivenciados. Também não parece simples compreender e mudar afetivamente, mas parece simples entender que assim como para cada um de nós isso não é simples, também não é simples nos outros a mesma mudança. O objetivo aqui é chamar a atenção para o fato de que a presença física pode causar danos graves, como os das mães tigres, e o abandono, traumas irreversíveis, mas que mais difícil do que constatar separadamente cada um, é dizer onde o abandono é realmente afetivo, onde o afeto é transformado em obrigação. Para compreender os afetos é necessário ter a espontaneidade para as reações afetivas acontecerem. Nos habituamos nas afecções, limitamos as reações afetivas; podemos usar afecções para ter afetos melhores. Não se pode ter no outro o objeto, é perversão ter no outro o objeto. O afeto então como objeto pode até ser indenizado, e deve ter seu valor, mas não restaura ou restitui o dano em si, que continua causando afetação.

Referências:

Chua, Amy. O grito de guerra da Mãe tigre.

Martins, André. Quando a razão pode ajudar a potência de nossos afetos? Spinoza, Nietzsche e Winnicott, os valores e a imaginação.

Barbirato, Fábio e Dias, Gabriela. A mente de seu filho.

  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Add to favorites
  • email
  • Google Buzz
  • LinkedIn
  • Orkut
ERA
ERA
Related Posts
Showing 30 comments
  • Milena Cibelle

    Muito bom o texto.
    Mas, creio que os filhos buscam na justiça uma forma de aliviar sua dor incuravel e de mostrar a pessoa que lhe “abandonou” de alguma forma, de que ausência afetiva não passou! Se perdura para o resto da vida. São dores que ninguem saberá até vivenciar o que esses filhos passaram ou passam.
    A única forma de mostrar o quanto sentimos dessa rejeição é a “indenização” que só é sentindo no bolso de quem passou anos sem demonstrar um pequeno gesto de afeto.

    • itamar

      Concordo…. mas o que o texto preza em nos passar, é que o pagamento da indenizaçao nao trouxe a restituiçao afetiva. A falta de afetividade persistiu apos o pagamento do que foi sentenciado. E que a afetividade é diferente de sociedade para sociedade. Se acontecer aqui no brasil, o que acontece na china, nossa sociedade irá reprimir o fato. O mesmo se a caso for inverso. Tudo bem, houve a sançao, mas o objetivo da mulher era o afeto. Sentimento que ela relutou atraves da justiça e até hoje, creio que ela ainda nao tem.

      • Adriana Machado

        Estou desapontada, pois meu pai sempre me rejeitor fui reconhecida paternalmente aos meus 26 anos por meio judicial de lá pra cá contato nenhum por parte dele só minha. Decidi recorrer com a ação por Abandono afetivo junto a Defensoria Publica do Estado onde resido. Para minha surpresa fui informada de que eu não poderia mais requerer esse tipo de ação pois já era maior de 33 anos affff. Triste muito triste pois ele nunca me deu nada e o pior me rejeita descaradamente.

  • Giuliano Alberton

    boa tarde…
    acho que antes do dinheiro , a criança preza mais o lado afetivo , uma convivência …

  • Ton Rodrigues

    Adorei este texto, me lembrei de meu pai, e pensei como o valor material mexe com interior dos seres. Tem muito pai que abandona afetivamente , para não dar satisfações afetivas.

  • Ton Rodrigues

    Adorei este texto, me lembrei de meu pai, e pensei como o valor material mexe com interior dos seres. Tem muito pai que abandona afetivamente , para não dar satisfações finaceiras

  • Denise

    No meu ponto de vista a indenização não visa reverter o não afeto, mas sim punir o genitor que ao longo de anos não deu a mínima ao filho que colocou no mundo.
    É muito difícil para uma criança que foi abandonada pelo pai, por exemplo, dizer a professora e os colegas na escola que não tem pai para participar de um determinado evento. São marcas eternas que ficam e não curam. Quem cresceu sem pai ou quem é mãe solteira sabe o tamanho do estrago que o abandono afetivo causa na criança.
    Não se trata do afeto em si, mas sim de cumprir com o papel de pai (ou mae) que toda criança tem o direito.
    É muito diferente do exemplo que o autor cita do caso de pais que trabalham o dia inteiro e não veem seu filho. Neste caso, o filho sabe que tem pai e mãe, sabe que estas pessoas fazem parte da sua vida, que o amam e não o abandonaram.
    Sou totalmente a favor, pois é muito fácil para muitos homens colocar filho no mundo e depois viver a vida como se nada tivesse acontecido.

  • Ana Medeiros

    Sabe eu acho que esse dinheiro e muito pouco, nem milhoes de reais compensaria a falta de afeto por parte de um pai. Um ser humano nunca sera completo quando cresce sem o amor dos genitores sao marcas que o tempo nao apagara jamais da vida dessas pessoas. Infelizmente os seres humanos da terra acham que filho e algo sem importancia que se pode ser esquecido ou deixado de lado. Este abandono e o fator principal de termos uma sociedade cada dia pior. Os seres humanos nao estao recebendo amor como deveras e estao se tornamdo cada dia mais crueis.

  • maria de fátima

    eu sei o que é ser abandonada pelo um pai cresci sem ter um minha mãe morreu fiquei jogada as traças a própria sorte , meu pai nunca ligou para mim sabia que tinha uma filha e nunca se importou passei fome passei necessidade e até hoje continuo tendo uma vida muito difícil o homem faz filho e não esta nem aí é muito fácil julgar esta pessoa que pediu indenização eu tenho vontade de pedir também pelos danos morais que sofri mas nenhum dinheiro pagaria o que passei mas iria gostar de ver meu pai pagando por todo mal que me fez e doendo no bolso dele poque só assim que esta gente ruim e perversa sente quando perdi dinheiro é facil julgar quem tem uma família que cresce sabendo quem é seu pai não passa por isso pimenta nos olhos é refresco antes de julgar algúem se coloca no lugar de um filho abandonado .

    • NILTON BR

      Acredito que quem causou mal a outra pessoa deve, se não arrepender-se, pelo menos reparar o dano causado a outrem. A indenização pecuniária é a mínima punição ao homem que pôs um filho no mundo e se negou a assumir a responsabilidade por seu ato. O abandonando da mãe com um filho na barriga ou, em alguns casos, nos braços é uma aberração visto que, na natureza, até os animais machos protegem suas fêmeas e crias. É óbvio que o pagamento pecuniário não suprime a dor da rejeição ao filho que não pediu para ser gerado, mas pelo menos exerce função educativa e serve de alerta para que outros homens não cometam esse crime que é reprovável do ponto de vista biológico, moral e religioso.

  • Moreira

    Ok. Dinheiro não paga. Mas já que não é possível voltar no tempo e como ninguém me daria razão se hoje eu o pegasse com minhas próprias mãos e o sufocasse para compensar todo o assédio e desprezo que sofri por causa da falta de referência paterna, os assédios morais que sofri de meu padastro (este tinha segurança que poderia aprontar comigo que meu pai não tava nem aí ) e de minha mãe, por meu pai ter me chamado de burro quando eu tinha dez anos em uma das poucas vezes que eu mesmo tomei o ônibus sozinho e fui pra casa dele ( distante 22 km- risco de se perder numa capital ou coisa pior) na frente do patrão dele só porque eu não soube fechar a porta do carro, por ter repetido esse gesto “carinhoso” em outra oportunidade na frente das minhas meias-irmãs e de minha madrasta, pelas dificuldades emocionais causadas pelas questões existenciais que todo adolescente passa e que ele não me deu nenhum apoio, por ter me chamado de vagabundo por eu não ter conseguido concluir nem o bacharelado em engenharia de telecomunicações nem o de ciências contábeis, por ser um rapaz sem muita força de vontade, desmotivado (e que gosta de se colocar no lugar de vítima, não?) por ter me assediado a todo momento para que eu assinasse o processo de exoneração de pensão alimentícia… por essas coisas, sabe. Porra! que raiva. Sentimento de rejeição, da busca por alguma coisa que deveria ter sido e não foi. Sei nem que diabo é isso. Só sei que é ruim. Tenho que ser reparado. Se o juiz não me for favorável acho que vou pirar.

    • Raposa

      Moreira, cara, siga firme. Não desista! Entendo sua dor, perfeitamente! Não dê gosto a essa gente… apareça restaurado na frente de seus familiares. Seja melhor do que eles. Sei que é fácil falar – mas sei do que vc está falando. Passei a vida toda tendo minha capacidade sendo questionada, sendo chamada de m3rd@, sendo solenemente ignorada em minhas dúvidas infantis! Até hj o escuto falar: “ela nunca vai passar num vestibular… n tem capacidade pra isso”. Hoje sou formada.
      Nem todo mundo poderia/deveria ser pai/mãe, e tenho dito!

  • Soraia Machado

    Vivi por toda a infância essa situação de ter uma mãe tigre; Sobrevivi, porém hoje sofro ainda mais por ser obrigada a demonstrar afeto por ela. A sociedade e o restante da família que geralmente foi omissa diante dos fatos cobra um comportamento assim. Continuo dependente financeiramente e ainda passo por todo o tipo de humilhação decorrente disso… Será justo mesmo uma criança abandonada afetivamente após adulta ter que cuidar daqueles que a fizeram tanto mal? É uma questão muito séria e que merece ser discutida.

  • Itamara Pohlmann

    Concordo,dinheiro nao paga nada,nesse caso queria cadeia para uma pessoa dessas.Tenho uma filha que e regeitada pelo pai,e ja vejo o que ela esta passando por conta disso…….dinheiro e mais facil pra um pai que abandona seu filho do que corrigir o errro e dar amor,uns ate preferem pagar por isso,e alias a indenizasao e uma forma de pagar,pois paga e depois continua tudo igual!!!Tinha que existir uma lei que os obrigase a conviver com a crianca,pois assim poderia cer que acabase existindo com o tempo um pouco de afeto!!!

  • anne vitoria montalvao

    Pessoal há anos sofro com o abandono afetivo por parte do meu pai só agora tomei coragem e resolvi ir a luta, quando percebi que a dor não era só minha e que era mais fácil ter casos de crianças abandonadas afetivamente do que amparadas, dai e criei a pagina no facebook TODOS CONTRA O ABANDONO AFETIVO onde em priemira mão relato o meu caso para encorajar, apoiar e prestar esclarecimentos a todos os envolvidos, e a busca por um dialogo, espero que olhem a minha página pois podemos ajudar muitas outras pessoas! https://www.facebook.com/pages/Todos-Contra-O-Abandono-Afetivo/1448125775430717

  • Joaquim Pereira

    Isso vai gerar uma industria de indenizacoes. Afeto nao se compra com dinheiro. Ninguem esta interessado no afeto e sim no dinheiro. Aposto que filhos bem sucedidos e que notoriamente nao tiveram afeto de seus pais ( Cantora Paula Fernandes e apresentadora Xuxa), nao vao entrar com acao na justica para pedir indenizacao e por uma razao muito simples: Nao precisam de dinheiro. Com certeza gostariam do afeto que nao tiveram. E entao como e que fica?

  • Luiz Antônio

    Fico pasmo de ver como esta “loucura consciente” da indenização por abandono afetivo se alastrou tão rapidamente neste país. Se bem que, quando se verifica a opressão jurídica em que se encontram os homens, não fica nem um pouco difícil entender essa situação toda. Parece um pesadelo ter um filho nos dias de hoje. Por isso mesmo, no meu caso, com 43 anos de idade que completo este mês, minha prioridade número 1 é realizar vasectomia o quanto antes.
    Senão vejamos: na imensa maioria das vezes o pai não fica com a guarda dos filhos. Estes, convivendo com a mãe, normalmente ficam a favor dela, e não do pai, obviamente, em caso de divergências de opiniões, inclusive sobre a vida do filho(a). Resumindo, nem o poder familiar nem o afeto integral do filho o homem tem, porque este afeto integral é suprimido em parte, por causa de uma visão parcial que o filho forma devido à convivência apenas com um dos genitores. Convivência somente com um deles sim, considerar o encontro de 15 em 15 dias como convivência é uma das grandes hipocrisias da prática jurisprudencial de família. Assim, o pai, no caso de empregado regularmente etc, paga todas as despesas do filho (esse é o meu caso e provo a quem quiser) e não tem nem o respeito do filho, nem sua atenção. Meu filho nunca liga para mim. Nunca. Eu tenho que ligar para ele, implorar que ele fale direito comigo etc, marcar os encontros com ele (ele tem 12 para 13 anos de idade). Aí pergunta-se: e o estado emocional do PAI, onde fica? Sou tão atribulado emocionalmente com essa situação que no último episódio de desgosto com o comportamente parcial de meu filho que tive que tomar antidepressivo.
    Mas vejo que a sociedade, na sua imensa maioria, mesmo muitos homens, apoiam mais essa humilhação contra os pais. Então fico me perguntando se haverá saída um dia… Será que algum dia o Estado vai cobrar dos adolescentes: respeito e amor a seus pais? Meu pai mesmo foi super severo comigo, eu o respeitava e meu amor nunca diminuiu. Ele nunca me deu as coisas de mão beijada.
    Como pode um PAI (homem) amar um filho ou filha que, além de nunca lhe ter dado alguma razão pelos seus atos, ainda lhe arranca mais dinheiro além da humilhação de mais uma condenação por ter sido seu pai? Pois o Judiciário humilha os homens. Como pode, pessoas lógicas, ou que se dizem providas de lógica, não verem que um pai como esse que foi humilhado a pagar R$ 200.000,00 nunca mais vai querer nem pensar nessa filha, quanto mais ser seu amigo? Se ela, essa filha, queria o amor do pai dela, essa indenização vai ajudar? Como pode esta loucura toda????

    • Marcos Alves

      Por favor, leia e tire suas conclusões.
      Não julgando os fatos mas colocando realidade nos acontecimentos , vamos lá;
      Pais proibidos de ver os filhos, por mães recalcadas e com espirito de vingança.
      Mães com problemas psíquicos sérios, causando exteriorizações comprometendo a formação dos filhos. Pré julgando os pais. Ameças constantes em local de trabalho e residência, quando estes pais já separados tem outras famílias.Nestes casos havendo outros filhos menores,assistem os ataques de fúria e até mesmo injúrias. Fatos onde a maioria opina que tem que ser ação protetiva de ambos pais e casos mais graves , abertura de BO (Boletins de Ocorrências ).
      Ações em fórum,devem ser abertas ; Casos de racismos, proibição de ver os filhos, constrangimento dos filhos menores que viram seus pais brigarem e etc. A mãe antes de qualquer atrito deveria evitar estes constrangimento perto dos filhos dela , onde a mesma já gerou outra família, o ex companheiro também tem outra família e filhos.
      Como o direito é para ambos este pai que narra os fatos, foi orientado pela justiça a abrir queixa crime de racismo e constrangimento de menores .Como este pai não tem espirito de vingança , não evolui com as queixas em juízo.
      Os fatos narrados são graves deixando o terror na mente das crianças menores , onde seu filho do atual casamento fala da mulher louca que foi na sua casa, desferindo palavras graves e atormentadoras. ” Nego vagabundo que atrasa PA, eu subi na vida você não tem nada¨.
      Este pai por amor a filha que teve com esta pessoa não foi adiante com a queixa de racismo. Garanto que se fosse feito desta forma ela estaria presa, quem cuidaria dos filhos da mesma e minha filha.Ela não pensou em seus filhos e nem na minha filha .
      Mas a raiva o ódio não me dominaram. Por fatos como estes não tenho como ter aproximação desta filha, agora com 16 anos. Quando chegar a maior idade ela vai entender o motivo da distância pequena de alguns meses de ausência.
      Acredito que uma ausência devido a proibição de sua mãe , não causara danos em sua formação. Onde vejo que não caracteriza ausência de afeto.Mas medida protetiva para ela e eu. Evitando neste caso até a morte. Não sei se aguentaria novamente ser chamado de vagabundo ,Negro safado ou qualquer outro substantivo que desqualifiquem minha pessoa na frente dos filhos.
      Se esta lei realmente e válida para este caso , podem me julgar como pai ausente, pois os juízes e os populares podem definir os fatos.Assim foi no passado na época medieval .
      Hoje observamos que o dinheiro está acima de tudo, se este caso é passível de indenização, deixo para vossas conclusões.

  • Luiz Antônio

    Sr. Joaquim Pereira, já existe uma indústria da pensão alimentícia (há muitos anos), e os legisladores e o judiciário dizem que não, mas todos, inclusive as próprias mulheres que aplicam os conhecidos popularmente como “golpe da barriga” sabem que existe sim uma imensa e multimilionária indústria da pensão alimentícia. O que está em curso, já está acontecendo, é o fortalecimento de mais uma indústria: a da indenização por abandono afetivo.
    Isto tudo também faz parte de todo um sistema para humilhar sistematicamente os homens, pois uma das expressões máximas de seus direitos (passados, não presentes) era o de ser pai e fazer valer sua visão de vida na criação de seus filhos. Isto hoje em dia não existe. Este ECA que já é extremamente criticável, pois inverte totalmente os valores, fazendo os filhos mais importantes que os pais, já está incorporando, ao invés de melhorias, estas “piorias”, poderíamos por assim dizer, ao que já é extremamente danoso (vide a polêmica da maioridade penal).
    Atualmente não é possível para um homem ter filhos e ser feliz, a não ser que, na prática, se submeta a todas as vontades deles (e da mãe). Contudo, tenho firme convicção que os pais (e mães também) são mais importantes que os filhos. Um dia a sociedade inteira vai colher os frutos podres dessa inversão de valores que está sendo plantada atualmente. Vai chegar o tempo, e não será tão distante assim, em que a maioria dos homens tomarão horror da condição totalmente adversa juridicamente em que se encontram (diria que eles tomarão consciência, e uma parcela que de fato não tem a mentalidade masculina continuará onde está, advogando a favor de tudo isto que está instaurado). A natalidade despecará de uma só vez e repentinamente. As uniões heterossexuais também. Isto já está em curso, pois acompanho esse assunto e vejo (com grande satisfação, é uma das poucas satisfações em meio a tanto dissabor) o crescimento vertiginoso de homens de todas as idades tomando consciência desses graves problemas e humilhações através da blogosfera masculinista. Este movimento contra-feminista está em plena ascenção em todo o mundo e aqui no Brasil também, se bem que muito atrasado ainda em relação, por exemplo, ao que ocorre nos Estados Unidos, por exemplo.
    Muitos homens que são a favor de toda essa opressão contra si mesmos também mudam de ideia, uma vez que eles se vêem diante do divórcio, perda dos filhos, pensão, humilhações sofridas diante dos magistrados em varas de família e por aí vai…
    Muitas mulheres têm também se unido aos clamores masculinistas, reconhecendo que esses “direitos” feministas, muitos deles não passam de privilégios e que não se busca igualdade, mas sim, esta “equidade” é uma palavra escolhida exatamente por esse motivo: a situação entre os gêneros é extremamente desigual, e não é a favor do gênero masculino, do pai. Muitos(as) advogados(as) e juízes(as) sabem muito bem disto, mas continuam com textos e mais textos com chavões e lugares comuns a favor da pensão alimentícia e indenização por abandono afetivo, mas a realidade nua e crua é muito diversa da (i)lógica que é pregada.
    Inclusive, isto prejudica as mulheres bem intencionadas. Cada vez mais homens, conscientes destes fatos, pois são fatos, estão cada vez mais arredios tanto a relacionamentos quanto a filhos. Isto é fato, sei que serei contestado, mas iludir-se é um direito que assiste a qualquer um, então quem contesta que exerça seu direito à ilusão. Mas isto não mudará os fatos. E aí, então, todos saem perdendo: homens, mulheres, crianças, adolescentes, todo mundo.
    Menos quem lucrou com isto.

  • Dona Pikukas

    Eu ensejaria ação somente para no futuro não ter que cuidar hoje (abandono de incapaz) de quem me abandonou no passado. Quanto a pecúnia, nem me daria ao trabalho, não ficaria feliz.

  • Raquel Vieira

    Muito interessante o texto, acredito que a pessoa que recebeu indenização, e ainda assim, não conseguiu obter o afeto, tenha feito uso de psicoterapia. Pois seria o mínimo a esperar de uma situação dessas. Me pergunto, e se houvessem decidido que a sentença, não fosse paga em dinheiro, e sim em horas de terapia familiar para este pai e esta filha? Nao teria sido mais produtivo? Fico imaginando como teria sido, e se de fato, alguma coisa pudesse ser restituída, algum afeto, até mesmo questões parentais e descobertas que a genética e a psicanálise explicariam…

  • olivia soares

    Concordo que a indenização serve como uma forma de alívio à dor sofrida, mesmo que esse alívio venha acompanhado de um sentimento de vingança realizada, uma vez que afeta o transgressor onde possivelmente seja mais sensível. Uns dirão, vihngança é ruim. Sim, é um sentimento ruim, sim, mas não há negar que o sofrimento e a necessidade de vingança foram criados e alimentados pela prática desumana do transgressor. Por isso, vou mais além, além de indenizar, merecia o transgressor também ser preso, como forma a repensar seus atos e quem sabe, tomar consciência do mal terrível que pode ter causado ao ser humano abandonado afetivamente. Mal este que pode perdurar e estragar uma vida inteira, trazendo danos irreversíveis, refletindo negativamente em diversos outros tipos de relacionamentos e famílias nas quais o oprimido venha a se envolver. Enfim, o dano é praticamente irreparável e merece punição a altura ao causador.

  • Daniel

    Srs.

    Com quantos anos a criança ou a mãe pode pedir este tipo de indenização? Meu afilhado mora a 80 km da casa do pai dele. O guri só vê o pai quando eu vou visitá-lo e trago para a minha casa que fica a 4 km da casa dele. Tem vezes que chega a ficar mais de 10 meses sem visitas. O guri se queixa pra nós mas não fala para o pai dele.
    Se souberem de alguma informação que possa ajudar, agradeço.

    • Rachel Nigro
      Rachel Nigro

      Daniel, ainda não existe regulamentação específica sobre o abandono afetivo, logo, teoricamente, o pedido pode ser feito em qualquer idade.

  • Renaldo

    Quando a Revolução do outubro Vermelho tomou o KSAR na Rússia (antiga URSS) pelo bolcheviques e Lênin assumiu o poder, tentarão à força implantar o Comunismo através da força, como esse modelo de implementação fracassou (isso já tinha sido observado por A. Grasmci) foi utilizado o método CULTURAL. Ou seja, A REVOLUÇÃO CULTURAL preconizada por Antonio Grasmci, pensador marxista, que já tinha visto que a luta armada através daluta armada, não teriam êxito. E, é isso que vivemos hoje. O MARXISMO CULTURAL. e O que consiste isso? Foi introduzido na cultura americana por Herbert Marcuse, Teodor Adorno e companhia da Escola de Frankfurt, na tentativa direta de subverter os valores e princípios judaico-cristãos. A destruição da família, a abolição da propriedade privada e do modelo cristão de valores, são agendas que a cada dia avança mais e mais.

    E dentro disso, entra a questão de Abandono Afetivo. O estado invadindo as relações familiares no seu mais sagrado reduto, “O afeto, o amor entre pais e filho”.

    Amor não se compra, amor não se vende, o que se têm quando usa-se dinheiro, para medir, ou punir por falta de amor? é que as relações se destruam cada vez mais. Para concertar o que se quebrou, devemos arrumar uma espécia de cola, e não, separá-los cada vez mais através do dinheiro. Acredito que tanto quanto o filho abandonado, o pai que abandonou, também sofre. E essa construção do vínculo entre pai e filho passa diretamente pela mãe, pois m muitos casos, ela é tão, ou mais culpada por isso que o
    pai, pois, é ela a mediadora.

    Outro caso interessante nisso tudo, é que aqueles que condenam o PAI de abandono afetivo, e que o tratam como inimigo, mesmo ele pagando pensão, esquecem que se não fosse pelo pai, não estariam nesse mundo.

    Não digo que filhos abandonados não sofram com isso, o que digo, é que, quando chega a esse ponto, o problema é bem mais complexo do que imaginamos.

    Nessa situação, todos saem perdendo, o filho, porque não o pai, o pai, porque também é seu direito estar do lado do seu filho e a mãe que irá testemunhar o sofrimento do filho.
    Não há vencedores nessa história. E quando coloca dinheiro no meio, PIORA O QUE JÁ TAVA RUIM.

    A melhor saída é terapia familiar entre pai e filho, ou, se possível, a reconstrução da família.

    Porque, mais que um castelo, o os filhos querem é ter sua família de volta.

    SE OS PAIS AMASSEM,
    O DIVÓRCIO NÃO VIRIA,
    CHAMAM ISSO DE UTOPIA
    EU A ISSO CHAMO PAZ.

  • Coração Partido

    Eu só queria saber se quem escreveu este texto passou por uma situação dessas com o (os) filho (s)???
    O que eu gostaria que todos entendessem que realmente o dinheiro não vai mudar nada, porém vai minimizar gastos que continuaremos a ter com nossos filhos.
    Não há dor maior do que você ver seu filho sentado na porta de casa, esperando um “pai” que fala amanhã te pego, para ficar o fim de semana com você. E as horas passarem e os olhos encherem de lágrimas e até ouvir ele dizer, é mãe acho que ele não vem de novo. :-(
    Hoje meus filhos têm 16 e 17 anos e ainda vejo a tristeza em seus olhos. Sempre trabalhei, deixei de ve-los falar as primeiras palavras, dar os primeiros passos, ver os primeiros dentes para dar uma alimentação, escola, roupas e o que fosse melhor para eles e acredito que nada mais justo que no momento de faculdade, esta indenização venha para que eles possam cursar o que desejam.
    Não temos raiva de ninguém, mas essa tristeza em nossos corações.
    Espero que entendam realmente o que é processo por abandono afetivo.

  • Marcelo dos Santos

    A teorização que a menina ou moça de 38 anos não recebeu afeto confere. No entanto dizer que indenização não repara, pelo menos materialmente a falta de afeto, ampara sim, pois afeto, carinho e dedicação podem se expressar também pela luta dos pais que sauem às 4 da manhã e chegam de madrugada para oferecer um futuro para seus filhos. Em gratidão, os filhos bons vã devolver na velhice, um aconchego, um carinho se eles forem vencedores na vida, agirem corretamente, para seus pais.

    Quando o afeto, carinho, atenção e até mesmo reciprocidade, isso também é afeto, você ligar para a pessa e ela lhe atender com atenção e lhe ouvir, se não está depois lhe procurar. Se escrever cartas e mais cartas responder uma sequer para dar sinal que recebeu que está vivo. Agora ignorar um filho a vida inteira, é a maior falta de carinho, de afeto e até mesmo de humanidade. É rancor, ódio, ciúme e inveja e falta de consciência para com a própria vida. São pais que não perdoou o parceiro, que não se perdoou e que não entendeu o mundo.

    Portanto, a indenização materia serveria para “preencher” essas lacunas até acabar o dinheiro, depois o vazio volta, a menos que se prospere e isso faça preencher esse vazio sentimental.

  • Paula

    Eu tenho um filho que não tem contato nenhum com o pai por opção exclusiva dele, eu nunca forcei acho feio você forçar um relacionamento de amor, amor e carinho não se pede muito menos se obriga! e vou te dizer meu filho não sente a falta , ele recebeu tanto amor da minha família que na verdade quem ficou sentida fui eu a mãe, então eu acho que muitas das vezes a mãe que fica alimentando a ausência do pai, eu fui pãe! e meu filho é muito feliz hoje e tem o meu marido como pai dele…

  • Adriana Rismarito

    Ajustiça não pode obrigar o pai ter afeto pelo filho do qual ele não deseja.

  • Katia Correia

    Por exemplo minha filha nunca viu o pai nem uma única vez, não sabe que rosto tem o genitor…Entrou com um processo de abandono afetivo com 21 anos. Aos 15 anos por inúmeras vezes ela tentou falar com o pai e foi levar o convite de aniversário de debutante na empresa que ele é dono…Por incrível que pareça este pai sequer abriu a porta pra ela entrar com o intuito de ve-lo pela primeira vez e entregar o convite…mas ele tão friamente não a recebeu.
    Então depois de muito pensar minha filha pegou um advogado que era de confiança pois pensava que se pegasse qualquer advogado o pai pagaria para que o advogado não levasse a sério o pedido. O pai é um Libanês muito rico. A filha uma menina encantadora mas muito triste por não ter visto o pai uma única vez…Processou com a intenção que o Juiz obrigasse o pai a ir conhece-la e ve-lo uma vez na vida mas o pai não foi nenhuma vez nem para atender o apelo da filha conhece-lo mas o processo acabou com um péssimo laudo psicológico sem nenhuma obrigação do pai ir conhece-la e sem indenização. Resumo o Juiz achou improcedente o pedido de uma filha que sofre sem conhecer o pai, Como se o pai não tivesse nenhuma obrigação afetiva pela filha que só queria conhece-lo e talvez ama-la bem que fosse por 5 minutos. Um caos um Juiz com esta frieza de espírito.

Deixe uma resposta para Denise Cancelar resposta