Tecnologia Siri: Praticidade versus Privacidade

Ao comprarmos aparelhos ou softwares da Apple, nos deparamos sempre com grandes textos explicativos sobre o respeito à privacidade do indivíduo. No entanto, constata-se que há um gap, ou seja, uma falha na transmissão das informações sobre o que de fato ocorre com os registros do usuário, especialmente após o lançamento da tecnologia SIRI, um sistema inteligente de assistência pessoal para os usuários de Ipods, Ipads e Iphones.

O software, que ficou mundialmente conhecido em 2011 – após sua compra pela Apple Inc. – responde perguntas, faz recomendações e mesmo executa certas ações pedidas pelo usuário, como pesquisas meteorológicas. Entretanto, isso só ocorre mediante o acesso à rede, uma vez que o aplicativo funciona através de sistemas de buscas integrados, como o Google e o Yelp. Assim, é essencial que a informação seja transmitida para o servidor da Apple, para que se consiga achar a ‘solução’ da questão proposta.

O grande problema está, como apontado incansavelmente pelo grupo de defesa das liberdades civis nos Estados Unidos – a American Civil Liberties Union –, na forma como essa informação primordial é repassada aos clientes: na política de privacidade, possível de ser acessada somente através das configurações do aparelho, consta que as informações ditadas para o software serão gravadas e enviadas à Apple para serem convertidas em texto (Daily Finance, tradução nossa). Ou seja, não se especifica o tempo, nem como os registros são guardados.

Esse fator polêmico fez com que empresas como a Microsoft e a IBM tomassem medidas drásticas. Por exemplo, atualmente a IBM pede que qualquer funcionário que tenha os aparelhos da Apple desative o aplicativo Siri. De acordo com a empresa, é simplesmente uma medida de segurança para que as informações do ambiente de trabalho, muitas vezes sigilosas, não sejam gravadas, por qualquer que seja o motivo.

Em face a essa situação, a Apple pronunciou-se a respeito do aplicativo no dia dezenove deste mês, assegurando que os arquivos de voz coletados no banco de dados ficam relacionadas a um usuário específico durante um período de seis meses, e que após o mesmo, a origem dos registros torna-se desconhecida, ficando estes armazenados durante um tempo máximo de dois anos. Trudy Muller, porta-voz da empresa, frisou: a privacidade dos clientes é muito importante para nós (Wired.com, tradução nossa). Ainda de acordo com ela, a Apple só recolheria esses dados com o intuito de aperfeiçoar a experiência do usuário.

Todavia, a crítica por parte da American Civil Liberties Union, permanece ativa. De acordo com o grupo, o funcionamento do sistema continua mal explicado, e apontam que as informações repassadas, se verídicas, deveriam constar tanto na política de privacidade quanto no FAQ do produto.

Se levarmos em conta que qualquer informação repassada ao Siri é gravada e transcrita, nos colocamos em uma posição bastante vulnerável. Além do acesso às nossas anotações pessoais e à lista de contatos, o aplicativo tem um conhecimento maior sobre nossas vidas e, muitas vezes, a de nossos familiares. É novamente a regra do “Reflita antes de falar” podendo ser aplicada no nosso cotidiano, trazendo à tona a dimensão ética de um aplicativo tão comumente utilizado por milhões de pessoas em todo o mundo.

Fontes:

http://www.dailyfinance.com/2012/05/23/apple-007-is-siri-spying-on-you/

http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2013/04/apple-guarda-registros-de-conversas-dos-usuarios-com-siri-por-2-anos.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Siri_(software)

http://www.wired.com/wiredenterprise/2012/05/ibm-bans-siri/

http://www.wired.com/wiredenterprise/2013/04/siri-two-years/

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