Novas Configurações Políticas

manifestaçãoAs manifestações populares que eclodem pelas principais cidades do Brasil devem ser lidas em toda sua profundidade. Muitas questões centrais sobre democracia, poder, dentre tantas outras, emergem destes eventos. Propomos aqui falar muito brevemente de um aspecto: a dimensão política da sociedade civil.

Mesmo sem entrarmos numa discussão acerca se as reivindicações são corretas ou não, temos que ver um aspecto mais amplo disso tudo, que é a capacidade de articulação política que surge destes movimentos. Particularmente, vemos o Brasil como um país aonde a sociedade civil não compreende bem seu papel político; não enxerga em outros atos, além do votar, sua capacidade de atuação política. Movimentos civis são extremamente escassos, pontuais e, muitas vezes, isolados.

Não sabemos como ecoar nossas convicções políticas para além do espaço eleitoral. Da mesma forma, não entendemos como atuações cotidianas também podem ser políticas e contundentes para nosso cenário social.

Estamos vendo manifestações eclodirem e certamente este parece um espaço potencial a ser explorado. Tem algo se revelando, fruto de uma tensão represada após anos de extensa afirmação de posições cada vez mais apolíticas. E isso acaba por reacender a esperança do crescimento político da sociedade brasileira. Exigências de “organização”, “clareza de intenções” parece ser uma visão que não leva em conta a primitividade brasileira neste quesito. Sim, é preciso ter mais articulação, mais compreensão política; tal necessidade, no entanto, não pode calar esta eclosão. Precisamos entender que uma possível elaboração vem com o tempo, com o amadurecimento deste espaço ainda tão pouco explorado. A acusação de amadorismo e baderna não pode ser justificativa para deslegitimar tais movimentos, pois é preciso que passemos por este estágio primevo, para podermos encontrar o amadurecimento e novos cenários políticos.

A violência originada e alimentada tanto por civis como policiais revela o estágio primitivo que a organização civil se encontra hoje. Mas, a tolerância será a chave para conseguirmos alcançar um amadurecimento. Vemos que o próprio poder estatal também reage de forma primitiva e muito pouco preparada para tais movimentos populares. Novamente, sem entrarmos numa valoração de certo e errado, vemos a reação da polícia e do estado ainda muito precária, desarticulada, sem compreensão de seu papel neste cenário.

E para que possamos ter nestes movimentos a possibilidade de uma renovação política no Brasil, não só partidária, mas primordialmente da articulação da sociedade civil, temos que passar todos por um amadurecimento, reconhecendo nossas falhas, remodelando o que for necessário e reconhecendo nisto tudo a possibilidade de novos rumos ainda não explorados por nós, brasileiros.

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