Como calcular o prejuízo?

O vazamento de óleo no poço da petroleira americana Chevron reabriu a discussão sobre a segurança da exploração de petróleo em águas profundas. Ontem a ANP suspendeu todas as atividades de perfuração da empresa no Brasil. A medida vigora até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento detectado dia 7 de novembro e até agora não solucionado.

O acidente ocorreu na Bacia de Campos, no Campo de Frade, a 1.200 metros de profundidade e a 370 quilômetros a nordeste do Rio de Janeiro. A empresa já reconheceu a responsabilidade e afirmou que o acidente foi provocado por “erro de cálculo”. O presidente da Chevron chegou a pedir desculpas ao povo brasileiro na Comissão de Meio Ambiente na Câmara dos Deputados.

Além do enorme dano ambiental já causado, o acidente pode ter uma maior dimensão, visto que o vazamento ainda não foi estancado e existe a hipótese de ter sido provocado pela ruptura parcial do reservatório de petróleo (http://www.portogente.com.br/ambiente/index.php?cod=58804)

Em nota enviada à imprensa no dia 19/11, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) afirmou “que monitorou 400m de fissura e que pode-se afirmar que o vazamento ainda não cessou em alguns pontos”.

De acordo com o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, a Chevron está sendo punida devido à falta de equipamento adequado para estancar o vazamento, tendo sido obrigada a pedi-lo emprestado à Petrobrás, e por esconder informações, sem falar em sua incapacidade técnica e falta de transparência.

Entre denúncias de que a Chevron estaria invadindo a área do pré-sal, clamores pela soberania e nacionalização do petróleo e retomada da questão dos royalties, o caso Chevron nos faz refletir sobre o dilema moral e ambiental que representa a opção energética lastreada no petróleo. Como já destacamos aqui no ERA no acidente nuclear seguido ao terremoto no Japão, fica a questão de decidir até que ponto o desenvolvimento tecnológico se justifica, tendo em vista os riscos que ele pode gerar para o meio ambiente. Afinal, quais seriam os limites éticos nas tomadas de decisão de um país frente ao seu desenvolvimento tecnológico? E quem ficará responsável pelos seus efeitos colaterais?

Como calcular os prejuízos?

Os prejuízos ambientais são, em grande parte, incalculáveis. Mesmo dobrando o valor da multa, como defende o secretário Minc, e somando a ela todos os royalties e impostos gerados pela exploração do petróleo, não há numerário suficiente para quantificar o valor de um ecossistema como Búzios ou Rio das Ostras. A mínima chance de que a mancha de óleo alcance o precioso litoral fluminense parece ser uma boa razão para repensarmos nossos valores, para além dos números.

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