Empreendedorismo e Meio-Ambiente: a dimensão moral como chave de conciliação

As empresas geralmente são as grandes responsabilizadas pela crise ambiental vivenciada no século XXI. Entretanto, alguns autores sugerem que a própria atividade empresarial pode ser um dos principais motores de reversão deste quadro. Isso porque o empreendedor entendido como um agente de mudança pode captar oportunidades nas demandas e pressões da sociedade e, assim, criar novos modelos de negócios mais adequados ao cenário apresentado.

De acordo com Anderson (1998), tanto o empreendedorismo quanto o ambientalismo são fundados na percepção de valor. Para esse autor, no entanto, é convenção achar que o empreendedor pensa apenas em valores monetários e econômicos. Como seres humanos complexos, eles também se constituem de um sistema de valor mais amplo, no qual pode ser incluído, inclusive, o valor ambiental. Nesse sentido, a dimensão moral poderia ser a chave para integrar esses dois movimentos (Anderson, 1998).

Anderson (1998) nos lembra que o poder do imperativo moral nos negócios já é bem estabelecido e cita a ética protestante de Max Weber como exemplo. Dessa forma, para o autor, a dimensão moral do ambientalismo pode ser uma força tanto para estimular o empreendedorismo quanto para revelar novas oportunidades de mercado.

De fato, alguns estudos mostram que muitos empreendedores são motivados por outros valores que não só o lucro para criar seus negócios (Kirkwood & Walton, 2010; Pastakia, 2002). Isso não significa que a sustentabilidade financeira dessas empresas seja negligenciada, mas reforça que o empreendedor é motivado por valores diversos de acordo com a sua constituição moral.

A força vital, então, do que poderia ser chamado empreendedorismo ambiental derivaria justamente da sua ideologia: não só extrair valor no sentido convencional, mas também extrair valor moral a partir da operação de seus negócios (Anderson, 1998). Para a sociedade capitalista em que vivemos, esse pode ser um caminho promissor para promover a sustentabilidade em todas as suas dimensões.
Referências:
Anderson, Alistair R. Cultivating the Garden of Eden: environmental entrepreneuring. Journal of Organizational Change Management, Vol. 11 No. 2, 1998, pp. 135-144.
Kirkwood, Jodyanne; Walton, Sara. What motivates ecopreneurs to start businesses? International Journal of Entrepreneurial Behaviour & Research, Vol. 16 No. 3, 2010, pp. 204-228.
Astad Pastakia. Assessing Ecopreneurship in the Context of a Developing Country: The Case of India. Greener Management International, n. 38, 2002, pp. 93-108.

  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Add to favorites
  • email
  • Google Buzz
  • LinkedIn
  • Orkut
ERA
ERA
Related Posts
Comments
  • danyelle

    jente vamos cuidar do nosso lar,tenho 11 anos e peço a todos salve o meu,o nosso futuro!!!!!!!!!!!!

Leave a Comment