Copa, Olimpíadas e Direitos Humanos

Muita expectativa tem sido criada após o anúncio de que o Brasil sediará a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Vários investimentos estão sendo feitos para melhorar, principalmente, a infra-estrutura das cidades sede e espera-se que esses eventos deixem grandes legados positivos para os cidadãos desses municípios. Entretanto, começam a circular pelas redes sociais alguns vídeos que mostram que os preparativos para esses grandes eventos têm gerado grande polêmica e atingido negativamente as populações mais vulneráveis desses centros urbanos.

A principal questão que está sendo colocada é a forma em que as populações residentes em comunidades próximas aos futuros equipamentos esportivos estão sendo removidas de suas residências. Além de pessoas que não receberam indenizações ou receberam quantias baixíssimas, um fato grave é o deslocamento desses cidadãos para localidades distantes de suas antigas moradias, longe do mercado de trabalho e de serviços públicos como escolas e hospitais. A esse respeito, a ONU publicou um boletim denunciando a ocorrência de violação de direitos humanos na remoção de famílias em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Natal e Fortaleza.

Em entrevista ao jornalista Juca Kfouri, o professor titular de Planejamento Urbano da UFRJ, Carlos Vainer, comenta que as remoções estão sendo conduzidas num processo semelhante ao ocorrido nas décadas de 1960/70, que criaram, por exemplo, a Cidade de Deus. Para o pesquisador, está ocorrendo um processo de segregação, no qual a população mais pobre é jogada nas periferias, num processo violento de “limpeza da cidade”. Além disso, ele questiona os possíveis ganhos para as cidades divulgados pela organização dos grandes eventos. Isso porque, segundo o intelectual, a quantidade de vantagens dadas às iniciativas privadas, como a isenção de tributos, e a legislação de exceção que está sendo criada que permite, por exemplo, que os governos se endividem acima da Lei de Responsabilidade Fiscal, faz o cálculo do benefício se esvair.

Outra matéria que aponta os riscos de organizar esses grandes eventos mostra que a crise da Grécia teve inicio na má gestão dos recursos das Olimpíadas de 2004. Além disso, na entrevista anteriormente citada, o professor Vainer aponta que até cidades apontadas como modelo de sucesso como Barcelona, já revêem os legados dos Jogos Olímpicos, pois a desigualdade social aumentou na região após o evento e o legado positivo parece ter sido mais estético e comercial do que humano.

Será que seremos também mais um caso de marketing esportivo ou de fato as populações mais necessitadas das nossas cidades poderão usufruir de melhores condições de vida com os legados propagados desses grandes eventos que o Brasil sediará? A pergunta está em aberto.

 

Fontes:

Sobre o relatório da ONU: http://www.youtube.com/watch?v=fik1mximZ6o

Entrevista prof. Carlos Vainer: http://www.youtube.com/watch?v=ZKDRaZXajIg&feature=share),

Crise Grega pela BBC: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/11/111117_atenas_2004_crise_grega_tp.shtml

Matéria ESPN: http://www.youtube.com/watch?v=d0CVZ6s1zNA

Vídeo da ONG Witness.org: http://www.youtube.com/watch?v=W2ohRRgWS6Y

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