Capitão abandona navio: tragédia, individualismo e ética nos mares italianos

Na primeira sexta-feira 13 do ano, o naufrágio do cruzeiro Costa Concordia, na costa italiana, causou comoção e foi notícia ao redor do mundo. Ao resolver, por conta própria, alterar sua rota, o capitão do navio colocou em risco 4.200 pessoas que estavam embarcadas. Mais de seis corpos sem vida já foram resgatados e há ainda aproximadamente 29 desaparecidos, de acordo com reportagens sobre o episódio.

Como se não bastasse a decisão tomada sobre alterar a rota, ao que parece por um capricho individual – segundo reportado ele queria dar uma “oi” à população de uma ilha local -, o responsável pela embarcação omitiu o problema da colisão em uma rocha em comunicação à Capitania dos Portos e “abandonou o barco”, literalmente, antes dos resgates serem finalizados.

O capitão é a maior autoridade de um navio. É sua a responsabilidade por todos os aspectos que envolvem a embarcação durante a navegação, inclusive – e principalmente – a segurança de todos os tripulantes e passageiros do seu navio. A ética desse profissional é notória pela máxima de que o capitão deve ser o último tripulante a abandonar o navio. Como disse o comandante Gregorio De Falco, da Capitania dos Portos italiana, para o capitão do Costa Concordia, ao saber que ele tinha deixado a embarcação: “Abandonar é mais do que desertar, é trair o Código Marítimo”.

Os capitães de navios deveriam ser vistos como heróis, daqueles que lutam até o último segundo para proteger e salvar vidas. Será que essa imagem está se perdendo na cultura contemporânea? Será que o aumento da indústria de cruzeiros marítimos está fazendo as empresas negligentes em seus treinamentos e seleção de pessoal já que o lucro está crescente? O que no momento podemos de fato observar é que, no caso do Costa Concordia, o individualismo do capitão parece ter prevalecido sobre a responsabilidade e a humanidade.

Referências:

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/heroi-do-concordia-estava-fora-do-cruzeiro

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1035373-telefonema-confirma-que-capitao-abandonou-navio-naufragado-na-italia.shtml

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/telefonema-revela-que-capitao-abandonou-navio-naufragado

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/capitao-de-navio-que-naufragou-na-italia-nao-e-covarde-diz-advogado

http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/10/numero-de-passageiros-em-cruzeiros-deve-crescer-13-estima-ministerio.html

http://www.voceviajando.com.br/especial/2011/10/temporada-de-cruzeiros-comeca-com-expectativa-de-recorde-de-passageiros/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Capit%C3%A3o_%28n%C3%A1utica%29

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/01/capitao-diz-que-foi-o-ultimo-a-abandonar-o-navio.html

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Comments
  • ELIANE PEREIRA GONÇALVES

    Capitão abandona navio: individualismo e ética.

    O naufrágio ocorrido em 2012 nos leva a várias reflexões em questão de liderança.
    O capitão é a maior autoridade de um navio. É sua a responsabilidade por todos os aspectos que envolvem a embarcação durante a navegação.
    Da mesma forma, líderes de grandes empresas tem abandonado a ética e menosprezado o cuidado que deve ter junto aos seus liderados.
    Infelizmente vemos diariamente líderes atuando individualmente, esquecendo-se que a união da equipe depende muito da confiança que seus liderados depositam no seu líder.
    Como confiar em líderes que não ouvem a sua equipe e desprezam suas opiniões?
    Como confiar em líderes que esquecem que a ética deve prevalecer em todas as situações?
    Como confiar em líderes que apoiam clientes que abusam do poder para terem prioridades?
    Clientes que agridem verbalmente os funcionários, usam uniformes da Polícia Federal (mesmo estando aposentados), batem na mesa, causam confusão a tal ponto dos clientes se sentirem desrespeitados pelo abuso de autoridade e por tumultuar o ambiente desnecessariamente, se dispondo a testemunhar a favor do funcionário agredido.
    É interessante ver que os clientes se interessam em defender o funcionário, mas os líderes não.
    E o líder, no final das contas, dedica todas as suas atenções e prioridades ao cliente “pit bull”.
    Que cultura é esta? É a lei do mais forte, é a falta de ética, é o acovardamento diante da equipe, é o abandono do navio.
    Como confiar em líderes que ao verem um funcionário ser desrespeitado, se acovardam em defender o seu liderado?
    Como ter equipes unidas se os liderados não confiam em seus líderes?
    Enquanto houver líderes que não atuem em defesa de suas equipes, no estilo “um por todos e todos por um”, os naufrágios continuarão a ocorrer, pois fica evidente a fragilidade da equipe diante de qualquer cliente cuja cultura seja a lei do mais forte.

    Eliane Pereira Gonçalves
    Administradora de Empresas
    Funcionária da Caixa Econômica Federal

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